Essa semana eu compartilhei uma reflexão nos stories que quero trazer aqui com mais calma, porque acho que ela tem muito a ver com a forma como a gente se relaciona com a comida.
Percebi, ao longo do tempo, que meu ciclo menstrual influencia diretamente o meu emocional, minha sociabilização e minha energia disponível. Tem períodos em que sinto mais disposição para tarefas que exigem presença, criatividade e atenção aos detalhes, e outros em que isso me desgasta muito mais rápido. Quando eu identifico esse padrão, eu me permito ajustar: adiar o que pode esperar, simplificar o que for possível, e não me cobrar o mesmo “auge” o tempo todo.
No trabalho, boa parte de nós não tem esse espaço de negociação, afinal, prazos são prazos, e a rotina muitas vezes é a mesma, independente de como o corpo está naquele dia. Mas existem áreas da vida em que essa negociação é possível e a alimentação é uma delas.
Por que a gente trata a alimentação como algo tão rígido?
Muitas vezes construímos regras alimentares como se fossem prazos de trabalho: inegociáveis, iguais todo santo dia, independente de como o corpo e a mente estão se sentindo. Só que comer não é uma tarefa robotizada, é um processo que pode (e deve) se adaptar ao momento.
Isso não significa abandonar o cuidado com a alimentação nos dias mais difíceis, significa aprender a improvisar dentro de um contexto que ainda sustente a saúde. Às vezes o melhor não é a refeição elaborada, é a mais simples possível, mas que ainda cumpre a função de nutrir.
O que isso pode parecer na prática:
- Trocar uma receita mais trabalhosa por uma combinação simples e nutritiva quando a energia está baixa
- Aceitar que “o suficiente” também é válido, sem que isso vire um dia perdido
- Prestar atenção em quais dias pedem mais estrutura e quais dias pedem mais leveza
- Entender que consistência não é sinônimo de rigidez, mas sinônimo de continuar se cuidando, mesmo que de formas diferentes
A alimentação, assim como a atenção, a criatividade e a disposição, não é linear, também tem seus ciclos. E aprender a escutar isso, em vez de forçar uma régua única para todos os dias, é também uma forma de cuidado.
Quer aprofundar esse olhar sobre como ajustar a alimentação aos diferentes momentos do ciclo e da rotina, sem cair em extremos de rigidez ou de abandono do cuidado? Essa é exatamente uma das propostas do próximo workshop “Do travamento à ação” um espaço para construir uma relação com a comida mais flexível, mais consciente e mais alinhada com quem você é em cada fase.
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