Nutri Debora Alves

Você não precisa fugir das festas juninas para emagrecer

Junho costuma ser um mês curioso para quem está tentando emagrecer. Parece que, de repente, a comida está em todo lugar: tem festa na escola dos filhos, confraternização no trabalho, encontro na igreja, festa da família, aniversário com tema junino. E junto com tudo isso vem uma sensação que muitas mulheres conhecem bem: a de que precisam escolher entre aproveitar esses momentos ou continuar cuidando de si mesmas.

É como se existissem apenas duas opções. A primeira é se controlar o tempo todo, evitar os convites, passar a festa inteira resistindo e voltar para casa com a sensação de que não aproveitou nada. A segunda é pensar “já que estou aqui mesmo”, comer sem atenção, abandonar a rotina por alguns dias e depois carregar a culpa por algo que deveria ter sido apenas um momento agradável.

Mas a verdade é que nenhuma dessas opções é necessária.

O problema nunca foi a festa junina. O problema é acreditar que o emagrecimento só acontece quando a vida está calma, organizada e sem convites. Só que a vida real não funciona assim e sempre existirão aniversários, feriados, viagens, comemorações e encontros inesperados. Se o seu processo depende da ausência desses momentos para dar certo, ele acaba se tornando muito mais difícil de sustentar.

Emagrecer não é aprender a viver em isolamento alimentar, é aprender a fazer escolhas mesmo quando a vida está acontecendo. É entender que um pedaço de bolo de milho não apaga semanas de bons hábitos, que uma porção de canjica não determina o resultado da balança e que participar da apresentação junina do seu filho ou rir com os amigos em uma confraternização não deveria vir acompanhado de culpa.

Existe algo muito importante que observo no consultório: as mulheres que conseguem manter seus resultados ao longo do tempo não são aquelas que nunca saem da rotina, são aquelas que aprendem a retornar para ela. Elas aproveitam um evento especial, fazem escolhas possíveis naquele contexto e seguem em frente na refeição seguinte. Sem compensações exageradas, sem promessas de passar fome no dia seguinte, sem a sensação de que estragaram tudo.

Talvez o maior aprendizado que junho possa trazer seja justamente esse: você não precisa esperar um mês perfeito para cuidar da sua alimentação, não precisa deixar de viver para emagrecer e não precisa fugir das festas, dos encontros ou das comemorações.

Porque, no final das contas, o objetivo não é construir hábitos que funcionem apenas nos dias comuns. É construir hábitos que também funcionem quando a vida fica mais gostosa, mais movimentada e cheia de motivos para celebrar.

E se existe uma habilidade que vale desenvolver durante as festas juninas, não é a capacidade de resistir a tudo. É a capacidade de aproveitar sem abandonar a si mesma.

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