Nutri Debora Alves

Será que você não come pouco demais para quem quer emagrecer?

Ao longo dos anos, muitas mulheres entram em um ciclo quase automático: o peso não desce, a solução parece sempre a mesma — comer menos. O problema é que esse movimento vai se repetindo por meses ou anos, e o corpo começa a responder de uma forma diferente do que se espera. Em vez de acelerar o emagrecimento, ele passa a se proteger. Quando a ingestão de energia fica constantemente abaixo do que o corpo precisa para sustentar a rotina, o metabolismo entende que existe uma ameaça. E o organismo, que é extremamente inteligente, se adapta para sobreviver, não para emagrecer.

Comer pouco por longos períodos pode reduzir o gasto energético basal, diminuir a eficiência metabólica, alterar hormônios relacionados à fome e à saciedade e aumentar o cortisol, o hormônio do estresse. Na prática, isso significa um corpo que gasta menos energia, sente mais fome em determinados momentos, tem mais dificuldade de usar gordura como fonte de energia e passa a resistir à perda de peso. Não é falta de força de vontade. É adaptação fisiológica.

Essa é uma das razões pelas quais tantas mulheres relatam que “comem cada vez menos e emagrecem cada vez menos”. O corpo entra em modo de economia. Além disso, longos intervalos entre refeições, baixa ingestão calórica associada a rotinas exaustivas, pouco sono e altos níveis de estresse criam um cenário em que o emagrecimento se torna cada vez mais difícil, mesmo quando a qualidade dos alimentos parece boa. Whey, ovo, arroz, feijão e salada podem fazer parte da alimentação, mas ainda assim serem insuficientes para a realidade daquele corpo.

O emagrecimento não acontece quando o corpo é pressionado ao limite. Ele acontece quando o organismo se sente seguro. Segurança metabólica vem de ingestão adequada de energia, nutrientes bem distribuídos ao longo do dia, sono possível dentro da realidade de cada pessoa e redução constante do estado de alerta. Comer o suficiente não significa comer em excesso, mas sim oferecer ao corpo o que ele precisa para funcionar bem, responder aos estímulos e, então, permitir a perda de peso.

Por isso, antes de pensar em cortar mais alimentos ou reduzir ainda mais as porções, a pergunta mais honesta talvez seja outra: será que você está tentando emagrecer com menos do que o seu corpo precisa? Em muitos casos, o caminho não é restringir mais, mas nutrir melhor. E essa mudança de olhar costuma ser o verdadeiro ponto de virada no processo.

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